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sábado, 20 de outubro de 2007

Genealogia 6: Descendência de Manuel Antônio e Maria Gonçalves, Valongo

A razão deste post é experimentar uma espécie de "mini-artigo" genealógico. Este formato é na verdade um relatório automaticamente gerado por um software genealógico chamado PAF (Personal Ancestral File). Não gosto muito do formato do ponto de vista estético, mas ele é prático por gerar um relatório extenso a partir de um banco de dados. Como exemplo usei a descendência de um casal que pesquisei na freguesia de São Mamede, concelho de Valongo e distrito do Porto, Portugal

Descendentes de Manuel ANTÔNIO [sapateiro]

Primeira Geração

1. Manuel ANTÔNIO [sapateiro].

Manuel casou-se com Maria GONÇALVES.

Eles tiveram os seguintes filhos

+ 2 M i. Manuel ANTÔNIO "Novo, o Corisco".

+ 3 F ii. Maria Manuel nasceu em 26 agosto 1589.

+ 4 M iii. Antônio Manuel [sapateiro] nasceu em 10 junho 1592.

+ 5 M iv. Domingos Antônio [almocreve].


Segunda Geração

2. Manuel ANTÔNIO "Novo, o Corisco" (Manuel).

Manuel casou-se com sua prima em 4o. grau (1) Andresa Brás, filha de Adão Brás e Maria Manuel, em 29 novembro 1613 em São Mamede, Valongo, Porto (Portugal).

Eles tiveram os seguintes filhos


Manuel também casou-se com1 (2) Domingas ANTÔNIO, filha de Francisco ANTÔNIO e Catarina VARELA [tecedeira], em 9 fevereiro 1626 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

Eles tiveram os seguintes filhos

+ 7 M ii. João FERREIRA.

3. Maria Manuel (Manuel) nasceu em 26 agôsto 1589 em São Mamede, Valongo, Porto (Portugal).

Maria casou-se com Davi do Vale, filho de André Antônio (I) [vendeiro e besteiro] e Maria Bento (I), em 8 janeiro 1617 em São Mamede, Valongo, Porto (Portugal). Davi nasceu em 30 dezembro 1602 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal e foi crismado em 1 janeiro 1603 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

Eles tiveram os seguintes filhos

+ 8 F i. Maria do Vale.

9 F ii. Águeda? (Paula?) do Vale.

Águeda? casou-se com Domingos João, filho de Belchior Antônio e Maria João, em 8 janeiro 1657 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal. Domingos nasceu em São Miguel de Rebordosa, Paredes, Porto.

10 M iii. Manuel do Vale.

Manuel casou-se com Maria João, filha de João Francisco e Andresa Francisco, em 10 março 1659 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

4. Antônio Manuel [sapateiro] (Manuel) nasceu em 10 junho 1592 em São Mamede, Valongo, Porto (Portugal).

Antônio casou-se com Maria Manuel, filha de Manuel Gonçalves e Ana Duarte, em 9 fevereiro 1620 em São Mamede, Valongo, Porto (Portugal).

Eles tiveram os seguintes filhos

11 F i. Maria.

Maria casou-se com Manuel Luís, filho de Domingos Luís e Francisca Martins, em 15 junho 1663 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

12 F ii. Catarina Antônio.

Catarina casou-se com Belchior Marques, filho de Belchior Marcos e Ágada Fernandes, em 13 março 1662 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

5. Domingos Antônio [almocreve] (Manuel).

Domingos casou-se com Maria Manuel, filha de Manuel Lopes [almocreve] e Maria Álvares, em 26 maio 1624 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

Eles tiveram os seguintes filhos

13 F i. Maria Antônio.

Maria casou-se com Manuel Tomé, filho de Antônio Tomé e Maria Antônio, em

27 janeiro 1664 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

14 F ii. Catarina Antônio.

Catarina casou-se com Manuel Antônio, filho de Antônio Manuel e Catarina Antônio, em 5 fevereiro 1657 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

15 F iii. Ágada Antônio.

Ágada casou-se com Manuel Álvares, filho de Domingos Álvares e Andresa Gonçalves Ribeiro, em 2 outubro 1658 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

16 F iv. Margarida Antônio.

Margarida casou-se com Marcos Antônio, filho de Simão Francisco e Catarina Antônio, em 3 junho 1660 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.


Terceira Geração

7. João FERREIRA (Manuel, Manuel).

João casou-se com Ana MARQUES, filha de Manuel MARQUES e Ana GASPAR, em 15 novembro 1660 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

Eles tiveram os seguintes filhos

17 F i. Ana MARQUES.

Ana casou-se com Nicolau de Sousa FERNANDO, filho de Antônio de SOUSA "O Fernando" e Margarida ANTÔNIO, em 5 dezembro 1689 em São Mamede, Valongo, Porto.

8. Maria do Vale (Maria Manuel, Manuel).

Maria casou-se com Manuel Tomé, filho de Manuel Tomé "O Cardeal" e Francisca João, em 28 outubro 1640 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

Eles tiveram os seguintes filhos

18 M i. Felipe do Vale.

Felipe casou-se com Maria Gonçalves, filha de Baltazar Gonçalves "do Vale" e Simoa Martins, em 27 janeiro 1664 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

19 F ii. Maria Manuel.

Maria casou-se com Domingos Francisco, filho de Manuel Francisco e Francisca André, em 19 março 1662 em São Mamede, Valongo, Porto, Portugal.

Genealogia 5: Evolução dos sobrenomes portugueses (III)

Continuando o post anterior...
Na época do início da colonização brasileira, os sobrenomes portugueses pareciam ser quase aleatórios. É um sistema tão confuso que parece caótico.
Mas não é.
O que acontecia era a ausência de padronização. Hoje em dia a regra é sobrenome materno+paterno. Naqueles dias, não. Um casal com dez filhos poderia dar a eles dez combinações diferentes. Podiam usar só o paterno, só o materno, materno+paterno e paterno+materno; podiam adotar sobrenomes de antepassados mais antigos, muitas vezes repetindo igual.

Por exemplo, um casal Manuel Pereira e Maria Gonçalves geram um filho Belchior Pereira. Este Belchior se casa com uma Catarina de Sousa, e podia batizar uma filha com o nome da avó "Maria Gonçalves. Aqueles que forem no futuro pesquisar quebrarão a cabeça para entender como uma Maria Gonçalves pode ser filha de Belchior Pereira e Catarina de Sousa. Tal costume era extremamente comum entre os séculos XVI e XVIII.

O aumento da migração para o Brasil também levou à disseminação de um costume já usado em Portugal. Talvez para evitar o excesso de homônimos, adicionava-se o nome do lugar de origem ao sobrenome. Assim, um Manuel Lopes vindo de Lisboa virava "Manuel Lopes Lisboa", e um Manuel Lopes vindo do Porto, virava "Manuel Lopes Porto". Esta é a origem da maior parte das famílias que usam sobrenome Porto, Braga, Viana, Coimbra, Évora, Faro, Chaves, Lisboa, Guimarães, todos originalmente nomes de grandes cidades portuguesas, e conseqüentemente terra natal de muitos emigrantes. Eu mesmo tenho um ancestral de nome Manuel da Silva Jorge, que adotou o sobrenome "Jorge" por ter vindo da ilha de São Jorge, no arquipélago atlântico dos Açores.

Somente a partir de meados do século XIX é que os sobrenomes portugueses vão consolidando-se na forma tradicional sobrenome materno+paterno. O curioso é que os sobrenomes espanhóis padronizaram-se no formato inverso: paterno+materno.

Genealogia 4: Evolução dos sobrenomes portugueses (II)

Na coluna anterior referia-me aos nomes portugueses, que existiam na Idade Média na forma "nome+patronímico", ou seja, João filho de Simão = João Simões. Se este João tivesse um filho chamado, digamos, Diogo, este se chamaria Diogo Eanes, e se este por sua vez tivesse um filho Simão, seria Simão Dias.

Após o século X, com a consolidação dos reinos ibéricos, e conseqüentemente a divisão territorial em propriedades de "senhores feudais", estes passaram a ser considerados como "importantes", daí vão surgindo nomes familiares, verdadeiros sobrenomes como nós dissemos no Brasil (ou apelidos, como dizem os portugueses e espanhóis). Assim, se fulano era senhora da Quinta do Pinheiro, adotava o sobrenome Pinheiro, se outro era dono das terras de Sousa, adotava o sobrenome "de Sousa", e assim por diante. Desta forma nascem boa parte dos sobrenomes mais usados atualmente, como Sousa, Silva, Pereira, Moreira, Magalhães, Rocha, Medeiros, Moreira, Lisboa, Leão, Machado, etc, etc.
Mas isto não significa dizer que todas pessoas de sobrenome Machado sejam todas descendentes de um antepassado em comum Machado, senhor feudal. Estas famílias eram relativamente pequenas, e poucas, e a elas foram atribuídos brasões.

O que acontece é que progressivamente o "formato" de nome dos "nobres" foi influenciando os nomes dos "pobres". Se numa época inicial poderíamos identificar plenamente um rico por nome do tipo "João Pires da Silva" (i.e., João filho de Pedro da Família Silva), e um homem do povo por um nome do tipo "João Pires" (João filho de Pedro), uma séria de modificações vai alterar os usos.

Com o tempo, alcunhas (o que no Brasil chamamos de apelido) acabam virando sobrenomes, um João Pires "O Magro" pode acabar passando Magro para os filhos, e assim surge um novo sobrenome. Como as alcunhas existiam independentemente em pessoas diferentes, não significa que todos de sobrenome Magro teriam que descender de uma só pessoa, mas teriam múltiplas origens. Outras possibilidade era adotar o nome do lugar de onde veio, algo do tipo "João Pires de Lisboa", ou "João Pires de Coimbra". Assim também surgem novos sobrenomes.
Outra forma mais simples era apenas transformar o patronímico em sobrenome, "congelando-o". Um "João Pires" tendo um filho Estêvão, em vez de simplesmente batizá-lo "Estêvão Eanes", como seria o esperado em se tratando de patronímicos, chamava-o de "Estêvão Pires", e assim o Pires acaba por cristalizar-se e fixar-se como sobrenome. É justamente por este motivo que não existe uma única família Lopes, Simões, Dias, Fernandes, Gonçalves, Esteves, etc...
Importante salientar também que com o aumento da variedade de prenomes a disposição vai gerar após o século XII uma nova safra de patronímicos, sem sufixo algum. João filho de Francisco será apenas João Francisco, e não "João Francisques", uma Maria filha de Clemente será Maria Clemente. Para alguns prenomes o patronímico com sufixo vai conviver com o patronímico "puro". Assim por volta do século XIII, encontramos tanto a forma arcaica "Martim Eanes", como "Martim João", "José Antunes", como "José Antônio", "Felipe Marques", como "Felipe Marcos". Também ocorrerá no português escrito uma curiosa forma de fusão: Janeanes, em vez João Eanes, Pedrálvares em vez de Pedro Álvares, assim por diante. Tal grafia estranha esteve em uso até pelo menos o século XVI.
Também outro costume interessante que iria perdurar até meados do século XIX era a mudança de gênero no sobrenome: João Machado, mas Maria Machada; Felipe Coelho, mas Teresa Coelha; Luís Brandão, mas Luísa Brandoa.
Por volta do século XV, o sistema de patronímicos começa a se desestabilizar, e os patronímicos vão gradualmente sendo "congelados" na forma de patronímicos.
(Continua)

Genealogia 3: Evolução dos sobrenomes portugueses (I)

Ter um sobrenome não era necessário na antigüidade. Populações pequenas e esparsas, nenhuma escrita. Os nomes tinham significados plenamente reconhecíveis: "cavalo branco" (grego Leukippos) , "forte como urso" (inglês Bernhard), "segundo filho" (latim Secundus, Secundinus), etc. O que geralmente juntava-se ao nome era um patronímico, ou seja, um segundo nome que referia-se ao nome do pai. Algo do tipo "Ulisses filho de Laerte". Este padrão existe em todas as línguas da antiguidade, e sobrevive até mesmo em algumas línguas modernas:
- Magnus Eriksson (escandinavo) = Magnus filho de Erik
- Zeus Kronides (grego) = Zeus filho de Kronos
- Oleg Alexeievitch (russo) = Oleg filho de Alexei
- Taufik ibn Mussa (árabe) = Taufik filho de Mussa
- Arjuna Pandava (indiano) = Arjuna filho de Pandu

Outra de forma de distinguir-se a pessoa de um homônimo era usar uma alcunha, do tipo "o Gordo", "O Grande", "O Baixo", "O Branco", "O Coelho", "O Rato", "do Outeiro", "do Lago", etc.

Após a dissolução do Império Romano, a Península Ibérica foi ocupada pelos mouros. Estes povos islâmicos usavam patronímicos, do tipo Salim ibn Husain, Karim ibn Mussa, etc. Apesar da enorme influência árabe herdade pela língua portuguesa, tais nomes não deixaram vestígio nos nomes pessoais, com exceção do patronímico Viegas, que significa "filho de Egas", cuja forma denuncia uma origem árabe: ibn Egas > Ebenegas > Eveegas > Veegas > Viegas.

Os patronímicos mais comuns no português do início da Idade Média são aqueles com sufixo -es, dos quais boa parte chegou aos tempos modernos:
Rodrigues = filho de Rodrigo
Fernandes = filho de Fernando
Dias = filho de Diogo
Eanes/Enes/Anes = filho de João
Martins = filho de Martinho
Pires = filho de Pero (Pedro)
Gonçalves = filho de Gonçalo

Normalmente são vistos como de origem germânica, do tempo da ocupação visigoda: gótico Hrôthareiks (Rodrigo), genitivo Hrôthareikis ("de Rodrigo"), donde evoluíram para um latim vulgar Rodericus, sobrenome Roderiquis. Outro bom exemplo é Farthinanths (Fernando), genitivo Farthinanthiz (de Fernando), origem da dupla Fernando/Fernandes.

Outros no entanto, vêem estes sobrenome como de origem latina, de um sufixo genitivo -ici, *Ferdinandus, Ferdinandicus > Ferdinandici. Com certeza há alguns sobrenomes com a marca do genitivo puro latim, como Didacus (Diogo), genitivo Didaci (de Diogo, isto é, Diaz>Dias).

Qualquer que tenha sido sua origem, o fato é que na Idade Média estes patronímicos eram de uso comum em todas as classes sociais: Trastamiro Fernandes, Toda Ermiges, João Ramires, Fernando Martins, Chamoa Vasques são exemplos de nomes usados nesta época.

Como surgiram os sobrenomes que nós conhecemos atualmente?
(A Parte II continua em Genealogia 4)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Genealogia 2: Valongo, Johão e Elisabet

Estou no momento pesquisando os registros paroquiais da freguesia de São Mamede do concelho de Valongo, no distrito do Porto, Portugal. Minha pesquisa é feita através de consultas semanais a registros microfilmados no Centro Histórico da Família (CHF) na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em Vila Isabel. Os microfilmes são alugados por um período de dois meses.
Meu objetivo principal era localizar o batismo de meu antepassado José Pinto Bandeira, filho de Salvador Pinto Bandeira, nascido por volta de 1670. Não encontrei nada. Creio que as informações não estavam certas, e talvez ele tenha nascido em alguma freguesia vizinha.
No entanto, encontrei a ascendência no dito microfilme de Nicolau de Souza Fernando, povoador da Colônia do Sacramento, antiga possessão portuguesa no Uruguai, que deixou vasta descendência no Rio Grande do Sul.
Os registros de Valongo trouxeram muitas surpresas e peculiaridades. Jamais em minhas pesquisas havia achado registros tão antigos de nascimento indo até 1589. Em todos lugares que pesquisei, principalmente portugueses, os assentos de batismo só mencionam a data do batizado, citando a data de nascimento apenas a partir de 1700, mais ou menos.
Também há uma série de grafias curiosas, como João grafado "Johão", e a presença de crianças batizadas com o nome de Elisabet em pleno século XVII! Até então, só achara este nome em registros brasileiro só a partir do final do século XIX, principalmente for influência de família alemãs. O nome bíblico Elisabeth tem sua versão portuguesa "legítima" como Isabel, nome também muito comum na Espanha. Tendo sido os reis da Espanha senhores de terras italianas, como Sicília e Nápolis, o nome chegou na Itália, adaptando-se para Isabella, e daí influenciou franceses e ingleses. Nos países de línguas germânicas é mais comum a forma Elisabeth/Elizabeth, às vezes reduzida para Elisa ou Lisa.
Outra coisa curiosa nos registros de Valongo é a persistência do uso de patronímicos até meados do século XVII. Mas isso é assunto para outra coluna...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Genealogia 1: um prelúdio

Há anos que me dedico a pesquisas genealógicas, inicialmente de minha família, expandindo depois para assuntos mais gerais e amplos, tais como colonização açoriana do sul do Brasil, padrões de expansão familiar, freqüência de prenomes ao longo dos tempos, genealogias de diversos grupos familiares, etc. Vou usar este blog para colocar algumas "pitadas" do tema. Há muita coisa interessante...