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sexta-feira, 5 de março de 2010

Evolução 131: Trucidocynodon, o novo gaúcho do Triássico


Uma nova forma de cinodonte carnívoro acaba de ser descrita na Formação Santa Maria, no Triássico Superior do Rio Grande do Sul. Os cinodontes foram um grupo de répteis extintos, próximos aos ancestrais dos mamíferos modernos. O Trucidocynodon riograndensis foi descrito a partir de um esqueleto quase completo. O animal tinha mais de um metro de comprimento, pesava entre 15 e 20 kg, e deve ter sido um dos principais predadores da região.



Zo
otaxa
2382: 1–71 (26 Feb. 2010) Trucidocynodon riograndensis gen. nov. et sp. nov. (Eucynodontia), a new cynodont from the Brazilian Upper Triassic (Santa Maria Formation)
TÉO VEIGA DE OLIVEIRA, MARINA BENTO SOARES & CESAR LEANDRO SCHULTZ (Brazil)
Fonte da ilustração: Adolfo Bittencourt, na Coluna Caçadores de Fósseis

quarta-feira, 3 de março de 2010

Evolução 130: Asilisaurus, um "quase-dinossauro"

Os silessaurídeos (Silesauridae) foram um grupo de répteis arcossauros herbívoros difundidos por várias partes do mundo no final do período Triássico. Emboram não sejam dinossauros "verdadeiros" na acepção mais restrita do termo, provavelmente eram seus parentes mais próximos. Foi descoberto em terrenos do Triássico Médio da Tanzânia uma nova espécie de silessaurídeo, batizada de Asilisaurus kongwe. Conforme a análise dos descobridores deste animal, a dieta herbívora dos silessaurídeos, ornitísquios e sauropodomorfos evoluiu de maneira independente a partir de ancestrais comuns carnívoros. A descoberta do Asilisaurus o coloca como o mais antigo representante do grupo original que daria origem aos dinossauros, e aponta para uma maior diversificação dos arcossauros já em plena metade do Triássico, dominada por representantes arcaicos do grupo que daria origem aos crocodilos.

Ecologically distinct dinosaurian sister group shows early diversification of Ornithodira

Sterling J. Nesbitt, Christian A. Sidor, Randall B. Irmis, Kenneth D. Angielczyk, Roger M. H. Smith & Linda A. Tsuji

doi:10.1038/nature08718

terça-feira, 2 de março de 2010

Evolução 129: Sanajeh, a cobra papa-dino

Acaba de ser descrita uma nova espécie de serpente fóssil, batizada de Sanajeh indicus por uma equipe de cientistas indianos, canadenses e norte-americanos. Descoberta em terrenos cretáceos do oeste da Índia (Formação Lameta), a serpente tinha um comprimento estimado de 3,5 m e pertencia ao grupo extinto dos madtsoídeos (Madtsoiidae), uma família de serpentes muito primitivas cujas espécie distribuíam-se principalmente pelos continentes austrais, com fósseis na América do Sul, Austrália, Madagascar e África, mas também presentes no final do Cretáceo espanhol. Os restos do esqueleto foram descobertos em meio a um ninho de dinossauros, o que aponta para uma dieta carnívora da cobra. Apesar de superficialmente semelhantes às modernas jibóias e sucuris, os madtsoídeos possuíam uma morfologia mais primitiva, não sendo capazes de dilatar suas mandíbulas como os ofídios mais modernos. Ainda assim atingiram grande tamanho, com algumas espécies chegando aos oito metros de comprimentos, e com certeza tiveram um papel importante como predadores nos territórios remanescentes do supercontinente de Gondwana. Na Austrália, sobreviveram até o Plistoceno, e podem até ter sido contemporâneas dos primeiros humanos na Austrália.
Sem as adaptações que permitem às serpentes gigantes da atualidade, como sucuris, jibóias e pítons, abocanhar e engolir presas inteiras, as madtsoídeas desenvolveram adaptações compensatórias, e atacavam suas presas mordendo e arrancando pedaços. O ninho onde a Sanajeh foi descoberta incluía ovos fossilizados e filhotes de titanossaurídeos indianos.