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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Evolução 194:novos primatas no Eoceno da Líbia

Uma série de novas espécies de primatas foi descrita no sítio paleontológico de Dur-at-Talah, datado do Eoceno Médio. Os novos primatas descritos são o lorisiforme Karanisia arenula, o afrotarsídeo Afrotarsius libycus e oligopitecídeo Talahpithecus parvus, aos quais se junta o parapitecídeo Biretia piveteaui, espécie já conhecida do sítio arglino de Bir El Ater.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Evolução 164: Saadanius, cada vez mais perto do nó entre macacos e antropóides

Uma nova espécie de primata fóssil, batizada de Saadanius hijazensis, foi nomeada a partir de restos encontrados na unidade média da Formação Shumaysi, na Arábia Saudita. As características ímpares do Saadanius o fazem uma ótima pista para entendermos a bifurcação evolutiva ocorrida entre os macacos do Velho Mundo (cercopitecos, babuínos, macacas, langures) e os grandes símios antropóides (gibão, orangotango gorila, chimpanzé, homem).
A fauna associada, que ajudou a identifcar o caráter oligocênico do sítio paleontológico, inclui diversas formas similares à formação de Chilga (Etiópia, Oligoceno Superior), ligeiramente mais nova.
Bothriogenys fraasi (Artiodactyla, Anthracotheriidae)
Palaeomastodon sp. indet. (Proboscidea, Palaeomastodontidae)
Mammutidae gen. et sp. indet. (Proboscidea)
cf. Gomphotherium sp. nov. Chilga-type (Proboscidea, Gomphotheriidae)
Megalohyrax eocaenus (Hyracoidea, Saghatheriidae)
Geniohyus ou Bunohyrax sp. indet. (Hyracoidea, Geniohyidae)
Arsinoitherium cf. A. zitelli (Embrithopoda, Arsinoitheriidae)

Fonte: Zalmout, I., et al. Nature 466, 360-363 (2010). | Artigo

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Evolução 113: Pliopithecus canmatensis

Pliopithecus (Pliopithecus) canmatensis sp. nov. é descrita a partir de algumas localidades aragonesas tais como Abocador de Can Mata (ACM) em els Hostalets de Pierola (Vacia de Vallès-Penedès, Catalunha, Espanha), datados entre 11.7 e 11.6 milhões de anos, correlacionados com o MN8 (referência: La Grive L3). As diferenças morfológicas encontradas justificam a distinção taxonômica da espécie mais conhecida P. antiquus. O Pliopithecus era um gênero fóssil de macacos que viveram no Mioceno Superior e Plioceno do Velho Mundo, originalmente considerados como ancestrais dos gibões, mas ultimamente vistos como um grupo extinto de antropóides com caracteres arcaicos.

A new species of Pliopithecus Gervais, 1849 (Primates: Pliopithecidae) from the Middle Miocene (MN8) of Abocador de Can Mata (els Hostalets de Pierola, Catalonia, Spain) (p 52-75)
David M. Alba, Salvador Moyà-Solà, Assumpció Malgosa, Isaac Casanovas-Vilar, Josep M. Robles, Sergio Almécija, Jordi Galindo, Cheyenn Rotgers, Juan Vicente Bertó Mengual
Published Online: Jun 19 2009 3:17PM
DOI: 10.1002/ajpa.21114

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Evolução 77: Algeripithecus não era macaco?

As descobertas de fósseis mais completos da espécie de primata conhecida como Algeripithecus minutus permitiu uma revisão de sua classificação. Este animal, descoberto na Argélia em 1992, e datado do Eoceno Médio, há uns 40 milhões de anos, foi então classificado como a mais antiga forma conhecida de macaco (a infraordem Anthropoidea, parte da subordem Haplorhini, da ordem Primates), antecedendo as espécies conhecidas do Eoceno Superior egípcio (Aegyptopithecus, Parapithecus e Propliopithecus, dentre outras). Com a descoberta de uma série de primatas arcaicos no Sudeste Asiático eocênico, a polêmica sobre a origem dos símios aumentou, alguns cientistas vendo neles uma origem africana, e com outros preferindo ver nas formas africanas como uma ramificação a partir de um núcleo sul-asiático.
A revisão do Algeripithecus incoporou uma série de novos dados, que o fazem, junto com outra espécie contemporânea e conterrânea, o Azibius trerki, membros dos Strepsirhini, a subordem de primatas que inclui os lêmures de Madagascar, e seus parentes vivos mais próximos, os galagos africanos e os lórises asiáticos. Com isso, aumentaria a possibilidade de que os defensores da teoria "asiática" estejam certos, com os símios só aparecendo na África no final do Eoceno, a partir de uma imigração do sul da Ásia, por uma rota ainda não muito bem explicada, mas que é coerente com a distribuição eocênica de outros grupos de mamíferos, como os roedores histricomorfos (grupo ao qual pertence o porco-espinho) e os antracotérios (um grupo extinto de artiodátilos de hábitos semelhantes aos hipópotamos e que podem ser os seus ancestrais). Entretanto, ainda existe um fóssil africano mais antigo, o Altiatlasius do Paleoceno Superior marroquino, que é considerado como membro dos Anthropoidea segundo o cladograma abaixo, apresentado no referido artigo.

Tabuce R, Marivaux L, Lebrun R, Adaci M, Bensalah M, Fabre P-H, Fara E, Gomes-Rodrigues H, Hautier L, Jaeger J-J et al. 2009. Anthropoid vs. strepsirhine status of the African Eocene primates Algeripithecus and Azibius: craniodental evidence. Proceedings of the Royal Society of London. Published online before print September 9, 2009, doi:10.1098/rspb.2009.1339.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Evolução 60: Ganlea megacanina, o mais antigo macaco?



Fósseis de cerca de 38 milhões de anos de idade, encontrados na jazida paleontológica de Pondaung, em Mianmar, parecem ser os mais antigos exemplares conhecidos de símios. Batizado de Ganlea megacanina, este primata do Eoceno Superior, foi classificado na família extinta dos anfipitecídeos (Amphipithecidae), a qual, acredita-se, pode ser a origem dos símios (Subordem Anthropoidea da Ordem Primates). A descoberta aumenta o número de anfipitecídeos conhecidos (Siamopithecus, Pondaungia, Ganlea, Myanmarpithecus e Amphipithecus). Com certeza haverá uma enxurrada de manchetes bombásticas falando de "novo elo perdido", "nova origem do homem", "antropóides evoluíram na Ásia", propagadas ainda mais pelo desleixo do jornalismo científico. É uma descoberta importante, mas é preciso cautela em se propagandear exageros. A presença de Antropóides (também chamados de Símios ou Simiiformes) no Eoceno Asiático já era bem documentada, a questão é saber, se eles vieram da África (onde também existem fósseis contemporâneos) ou vice-versa. É interessante salientar que os roedores histricomorfos (grupo que inclui o porco-espinho, a capivara e a cutia, dentre outros) segue o mesmo padrão de distribuição paleozoogeográfica.

K. Christopher Beard
, Laurent Marivaux, Yaowalak Chaimanee, Jean-Jacques Jaeger, Bernard Marandat, Paul Tafforeau, Aung Naing Soe, Soe Thura Tun, and Aung Aung Kyaw (2009). A new primate from the Eocene Pondaung Formation of Myanmar and the monophyly of Burmese amphipithecidsProc. R. Soc. B doi:10.1098/rspb.2009.0836