Os sobrenomes ibéricos com sufixo -es (Português -es, Espanhol -ez) originam-se de patronímicos medievais, e a origem deste sufixo ainda é muito discutida. Uns consideram-no como de origem basca, outros vêem nele apenas uma derivação do genitivo latino -ici, e ainda há aqueles (com os quais concordo) que acreditam numa origem gótica:
Nominativo Farthinanths "Fernando" > Genitivo Farthinanthis "do Fernando, Fernandes"
Nominativo Hrôthareiks "Rodrigo" > Genitivo Hrôthareikis "do Rodrigo, Rodrigues"
Iberic surnames with "es", as suffix (Portuguese -es, Spanish -ez, Catallan -is) came from Middle Age patronymics, and their origin is disputed. Could be from basque origin, or from Latin genitive -ici, or (more likely) have a Gothic origin.
Estes Patronímicos referiam-se ao nome do pai, não constituindo verdadeiros nomes de família, o que só aconteceu a partir do século XVI, aproximadamente. Um João filho de Ramiro, seria João Ramires, seu filho Nuno, seria Nuno Eanes, um neto Fernando, filho do último, seria Fernando Nunes, etc.
Lista de Patronímicos:
Álvaro - Álvares, Alves
Antônio - Antunes
Bermudo, Bermui,Vermui - Bermudes, Bermuis
Diogo - Dias
Egas - Viegas (< Ebenegas < Ibn Egas, árabe)
Ermígio - Ermiges
Estêvão - Esteves
Fernando - Fernandes
Froila (Frauila), Froilo - Fróis, Fróes, Flores
Garcia - Garcês
Gonçalo - Gonçalves
Gueda - Guedães, Guedes
Guterro - Guterres
João - Eanes, Enes, Anes
Lopo - Lopes
Martinho - Martins
Mendo, Mem - Mendes
Nuno - Nunes
Osório, Osouro - Osores
Paio (Pelágio) - Pais
Pedro - Pires, Peres
Ramiro - Ramires
Rodrigo (Rui) - Rodrigues, Roiz, Ruiz, Roriz
Savachão (arcaico de Sebastião) - Savachães
Simão - Simões
Soeiro - Soares
Trastamiro - Trastamires
Vasco - Vaz, Vasques
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Genealogia 7: Em nome do pai
Em minhas pesquisas em São Mamede de Valongo descobri muitos casos de uso de patronímico até o século XVII. Isto é algo surpreendente, pois jamais havia achado patronímicos sobrevivendo até um período tão "recente". Já havia pesquisado casos de aparente uso de patronímicos, mas eram apenas "pseudo-patronímicos", ou seja, muitas vezes tratava-se apenas de indivíduos batizados com nomes de antepassados.
Digamos que um Mendo Afonso tivesse um filho Baltazar Mendes no século XV. Mendes significa filho de Mendo, ou seja, coerente para tal uso. Mas digamos que estes nomes acabassem sendo repetidos em descendentes: o filho do tal Baltazar poderia ser Mendo Afonso como o avô, e ter um filho Baltazar Mendes pelo mesmo costume, assim, estes pseudopatronímicos acabaram sendo perpetuados através do grupo familiar.
Mas em Valongo, ao que tudo indica, os patronímicos continuaram sendo usados, e posso dar muitos exemplos:
Domingas Baltazar filha de Baltazar Dias
Catarina Belchior filha de Belchior Fernandes
Gaspar Belchior filho de Belchior Martins
Catarina Benta, filha de Bento Fernandes
Maria Brás, filha de Brás Álvares
André Gonçalves, filho de Gonçalo Martins
Catarina Marcos (ou Marques), filha de Marcos Gonçalves
Digamos que um Mendo Afonso tivesse um filho Baltazar Mendes no século XV. Mendes significa filho de Mendo, ou seja, coerente para tal uso. Mas digamos que estes nomes acabassem sendo repetidos em descendentes: o filho do tal Baltazar poderia ser Mendo Afonso como o avô, e ter um filho Baltazar Mendes pelo mesmo costume, assim, estes pseudopatronímicos acabaram sendo perpetuados através do grupo familiar.
Mas em Valongo, ao que tudo indica, os patronímicos continuaram sendo usados, e posso dar muitos exemplos:
Domingas Baltazar filha de Baltazar Dias
Catarina Belchior filha de Belchior Fernandes
Gaspar Belchior filho de Belchior Martins
Catarina Benta, filha de Bento Fernandes
Maria Brás, filha de Brás Álvares
André Gonçalves, filho de Gonçalo Martins
Catarina Marcos (ou Marques), filha de Marcos Gonçalves
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