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terça-feira, 5 de julho de 2011

Evolução 247: Invictokoala

Uma espécie primitiva de coala, Invictokoala monticola, foi descoberta em um sítio paleontológico do Plistoceno Médio, com características reminiscentes de coalas ancestrais do Oligoceno.



Fonte:

Journal of Systematic Palaeontology Volume 9, Issue 2, 2011 - Invictokoala monticola gen. et sp. nov. (Phascolarctidae, Marsupialia), a Pleistocene plesiomorphic koala holdover from Oligocene ancestors

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Evolução 232: Kuntinaru boliviensis, o mais antigo dos tatus-bola

Uma espécie muito antiga de tatu-bola foi achada em sítios paleontológicos da Bolívia, datados do Oligoceno Superior. Foi batizada de Kuntinaru boliviensis.


Fonte:
Billet, G., L. Hautier, Muizon, C. de & X. ValentinOldest cingulate skulls provide congruence between morphological and molecular scenarios of armadillo evolution. Proceedings of the Royal Society B (no prelo).

Resumo (em inglês):

The cingulates of the mammalian order Xenarthra present a typical case of disagreement between molecular and morphological phylogenetic studies. We report here the discovery of two new skulls from the Late Oligocene Salla Beds of Bolivia (approx. 26 Ma), which are the oldest known well-preserved cranial remains of the group. A new taxon is described: Kuntinaru boliviensis gen. et sp. nov. A phylogenetic analysis clusters K. boliviensis together with the armadillo subfamily Tolypeutinae. These skulls document an early spotty occurrence for the Tolypeutinae at 26 Ma, in agreement with the temporal predictions of previous molecular studies. The fossil record of tolypeutines is now characterized by a unique occurrence in the Late Oligocene, and a subsequent 12 Myr lack in the fossil record. It is noteworthy that the tolypeutines remain decidedly marginal in the Late Palaeogene and Early Neogene deposits, whereas other cingulate groups diversify. Also, the anatomical phylogenetic analysis herein, which includes K. boliviensis, is congruent with recent molecular phylogenetic analyses. Kuntinaru boliviensis is the oldest confident calibration point available for the whole Cingulata.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Evolução 207: Mondegodon

A interessante descoberta de um mamífero primitivo no sítio palentológico de Silveirinha, em Portugal, batizado de Mondegodon eutrigonus, trouxe mais dados para entender a evolução dos ungulados. A nova espécie, integrante da ordem extinta dos mesoníquios (Mesonychia), que incluía ungulados arcaicos de hábitos onívoros e carnívoros, por muito tempo considerados como ancestrais do artiodátilos e dos cetáceos, possui características intermediárias entre os triisodontídeos (Triisodontidae) e os mesoniquídeos (Mesonychidade), a família mais avançada da ordem, onde as adaptações a uma dieta carnívora mais especializada.
Com a descoberta do Mondegodon, em vitude da já conhecida ausência dos mesoniquídeos em terrenos mais antigos na América do Norte, onde triisodontídeos eram conhecidos desde o início do Paleoceno, aumenta a possibilidade que os mesoniquídeos estivessem presentes no Paleoceno europeu bem antes do início do Eoceno, e isso indicaria um grau de endemismo bem elevado na fauna européia pré-Eocênica. Na época, a Europa constituía um imenso arquipélago, mas as suas relações biogeográficas com a América do Norte, Ásia e África ainda não estão inteiramente esclarecidas.



A structural intermediate between triisodontids and mesonychians (Mammalia, Acreodi) from the earliest Eocene of Portugal

Rodolphe Tabuce, Julien Clavel and Miguel Telles Antunes

Naturwissenschaften - Online First™, 22 December 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Evolução 161: Panthera onca georgica, uma onça no Cáucaso

Uma nova subespécie fóssil de onça foi descoberta... no Cáucaso, na república ex-soviética da Geórgia. A revisão dos fósseis de grandes felinos do Plistoceno mostra uma sucessão de subespécies da onça no Velho Mundo: Panthera onca toscana, no sul da Europa, Panthera onca georgica, no sítio plistocênico de Dmanisi, e Panthera onca gombaszoegensis, na Eurásia. A partir deste centro de distribuição asiática, uma linhagem emigrou para a América do Norte, dando origem à onça-norte-americana, Panthera onca augusta, e às subespécies atuais da América do Sul.

Panthera onca georgica ssp. nov. from the Early Pleistocene of Dmanisi (Republic of Georgia) and the phylogeography of jaguars (Mammalia, Carnivora, Felidae) Authors: Hemmer, Helmut; Kahlke,
Ralf-Dietrich; Vekua, Abesalom K. Source: Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie - Abhandlungen, Volume 257, Number 1, July 2010 , pp. 115-127(13)

sábado, 22 de maio de 2010

Evolução 147: Homo gautengensis

Restos de hominídeos encontrados na África do Sul, e datados de um período dentro da faixa de 2.0 a 1.26 milhões de anos foram batizado de Homo gautengensis, que seria a mais antiga espécie do gênero Homo. Mais antigos que o Homo habilis, não parecem estar em nossa linha ancestral, sendo mais uma linha colateral.


A review of early Homo in southern Africa focusing on cranial, mandibular and dental remains, with the description of a new species (Homo gautengensis sp. nov.)

HOMO - Journal of Comparative Human Biology, In Press, Corrected Proof, Available online 13 May 2010,

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Evolução 143: O sexto rinoceronte

Estudos genéticos indicam que a subspécie nortista do rinoceronte-branco, até conhecida como Ceratotherium simum cottoni, possui um grau de divergência suficientemente alto em relação a subspécie sulina para ser "emancipada" como outra espécie, agora, Ceratotherium cottoni.

- Groves, C., Fernando, P. & Robovsky, J. 2010. The sixth rhino: a taxonomic re-assessment of the critically endangered Northern white rhinoceros. PLoS ONE 5(4): e9703. doi:10.1371/journal.pone.0009703

domingo, 17 de janeiro de 2010

Evolução 119: De onde vieram os mamíferos paleocenos da América do Norte?

O que quer que tenha acontecido há cerca de 65 milhões de anos atrás, com o fim dos dinossauros e de outros grupos de vertebrados, tanto terrestres como marinhos, o período seguinte foi palco de uma grande diversificação dos mamíferos, que irradiaram em grande número de especializações e nichos ecológicos. Os sítios pesquisados no oeste da América do Norte, conhecidos desde o final do século XIX, ainda constituem a principal fonte do nosso conhecimento sobre os mamíferos do Paleoceno Inferior, estágio este chamado nos EUA de Puercano. A fauna identificada é constituída principalmente por animais de pequeno porte, a maioria do tamanho de ratos ou camundongos, os maiores se aproximando do porte de um cachorro. Dado o grande número de sítios pesquisados, é surpreendente que alguns dos grupos não tenham sido registrados no período anterior nos mesmo lugares - o final do Maastrichtiano, o último "andar" do Período Cretáceo.
De onde vieram eles?
Os gêneros de mamíferos que viveram no Puercano (de acordo com o que foi descoberto até a presente data - novas descobertas podem mudar o panorama totalmente) estão incluídos nos grupos Multituberculata, Peradectia, Pediomyidae, "Leptictida", Palaeoryctidae, Cimolestidae, Oxyclaenidae, Periptychidae, Hyopsodontidae, Mioclaenidae, Phenacodontidae, Triisodontidae, Taeniodonta, além de gêneros enigmático de difícil classificação como Batodon, Leptacodon, Purgatorius, Pandemonium, Ravenictis, a maioria classificado em grupos cujos parentes mais próximos seriam bem mais novos.
Dos grupos acima, os únicos com registros cretáceos expressivos são os multituberculados e os marsupiais (Peradectia e Pediomyidae), o que indica uma continuidade temporal e geográfica. Placentários muito primitivos como os "Leptictida", Palaeoryctidae e Cimolestidae, também incluem alguns membros esparsos no Mesozóico, mas com vestígios tão fragmentários que sua real taxonomia é fruto de inúmeros debates. A falta de continuidade apontaria para uma origem externa de boa parte da fauna puercana, mas emigrando de onde?
Se descontarmos o oeste norte-americano (basicamente Canadá e EUA), teríamos quatro regiões vizinhas como plausíveis centros migratórios: regiões ao sul (México e América Central), ao leste (Ásia) e oeste (América do Norte oriental e Europa, que podem ter tido alguma conexão).
Multituberculados e Marsupiais parecem ter sido presença constante, mas a existência dos multituberculados mais avançados requer a explicação de porque eles não atingiram a América do Sul, como os marsupiais conseguiram. Isto poderia indicar uma presença mais antiga dos marsupiais nos territórios mais ao sul, de onde conseguiram colonizar a América do Sul, enquanto os multituberculados talvez tenham chegado mais tarde. Dos outros grupos norte-americanos, apenas os "cimolestídeos" e "condilartros" (Periptychidae e Mioclaenidae) possuem formas relacionadas sul-americanas, o que reforçaria a hipótese de uma presença bem antiga na América Central. A América do Norte esteve dividida ao meio por braço de mar durante o final do Cretáceo, que retrocedeu no Paleoceno. Talvez os novos membros encontrados no Puercanos fossem recém-emigrados do lado leste do continente, com conexões possíveis com contemporâneos europeus. Infelizmente os registros no Paleoceno Inferior europeu ainda são muito pobres, restritos a poucas espécies achadas na Espanha.


EXEMPLOS DE FAUNAS PUERCANAS
1) Purgatory Hills, Montana, EUA
Neoplagiaulax nelsoni
Procerberus plutonis
Leptacodon proserpinae
Purgatorius unio
Pandemonium dis
Protungulatum sloani
Chriacus calenancus
Loxolophus priscus (=Thangorodrim thalion)
Tinuviel eurydice
Haplaletes andakupensis
Eoconodon nidhoggi

2) Bacia de San Juan, Novo México, EUA
Ptilodus tsosiensis
Kimbetohia campi
Neoplagiaulax macintyrei
Mimetodon krausei
Cernaysia davidi
cf. Cimolodon sp.
Liotomus vanvaleni (=Parectypodus vanvaleni)
Taeniolabis taoensis (=Polymastodon latimolis, P. attenuatus, P. selenodus, Taeniolabis sulcatus, T. triserialis, Catopsalis pollux))
Catopsalis foliatus
Eucosmodon americanus
Eucosmodon primus
Peradectes pusillus
Cimolestes simpsoni
Oxyclaenus cuspidatus
Oxyclaenus simplex (=Carcinodon filholianus)
Oxyclaenus antiquus
Loxolophus hyattianus (= L. adapinus, Protochriacus attenuatus, Mimotricentes mirielae)
Loxolophus priscus
Loxolophus pentacus (=Paradoxodonta ruetimeyerianus)
Loxolophus stenognathus
Loxolophus grangeri
Onychodectes tisonensis
Schochia sullivani
Wortmania otariidens
Loxolophus kimbetovius (= L. pentacus?)
Desmatoclaenus protogonioides
Desmatoclaenus dianae
Platymastus palantir
Mithrandir gillianus
Conacodon entoconus
Conacodon kohlbergi
Conacodon cophater
Oxyacodon apiculatus
Oxyacodon agapetillus (=Fimbrethil ambaronae)
Oxyacodon priscilla
Periptychus (Carsioptychus) coarctatus (= P. brabensis, P. matthewi)
Ectoconus ditrigonus
Hemithlaeus kowalevskianus
Escatepos campi
Bubogonia bombadili
Choeroclaenus turgidunculus
Valenia wilsoni
Tiznatzinia vanderhoofi
Bomburia prisca
Eoconodon coryphaeus (= Sarcothraustes bathygnathus, Triisodon biculminatus)
Eoconodon gaudrianus
Eococonodon ginibitohia

Como comparação, veja-se a fauna do estágio seguinte, o Torrejoniano, da mesma Bacia de San Juan:
Multituberculata
Ptilodus mediaevus

Neoplagiaulax macrotomeus
Parectypodus trovessartianus
Krauseia clemensi
Catopsalis fissidens
Eucosmodon molestus
Stygimys teilhardi

Prodiacodon puercensis
Coriphagus encinensis
Pentacodon inversus
Pentacodon occultus
Palaeoryctes puercensis
Acmeodon secans
Mixodectes pungens (=Olbodotes copei)
Mixodectes malaris
Plesiadapiformes
Palaechthon nacimienti
Palaechthon torrejonius
Torrejonia wilsoni
Anasazia williamsoni
Chriacus pelvidens
Chriacus baldwini
Prothryptacodon ambiguus
Deuterogonodon noletil
Mimotricentes subtrigonus
Arctocyon ferox
Arctocyon corrugatus
Colpoclaenus procyonides
Anisonchus sectorius
Haploconus angustus
Periptychus(Periptychus) carinidens
Litomylus dissentaneus
Mioclaenus turgidus
Ellipsodon inaequidens
Ellipsodon grangeri
Promioclaenus acolytus
Promioclaenus lemuroides
Protoselene opisthacus
Phenacodontidae
Tetraclaenodon puercensis
"Tetraclaenodon" minor
Mesonychia
Triisodon quivirensis
Triisodon crassicuspis
Goniacodon levisanus
Microclaenodon assurgens
Dissacus navajovius
Ankalagon saurognathus
Pantodonta

Pantolambda bathmodon
Pantolambda cavirictum
Ordem Incerta - Deltatheriidae
Deltatherium fundaminis (=Lipodectes penetrans)
Deltatherium dandreai
Taeniodonta
Conoryctes comma
Conoryctes pattersoni
Huerfanodon torrejonius
Psittacotherium multifragum
Carnivora
Protictis haydenianus
Protictis simpsoni
Protictis minor
Bryanictis paulus
Intyrictis vanvaleni
Palaenodonta
Escavadodon zygus

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Evolução 98: Arcantiodelphys, o primo europeu dos marsupiais


Datado do início do Cretáceo Superior (Cenomaniano), o fóssil batizado de Arcantiodelphys marchandi é uma descoberta incrível pelas inesperadas repercussões na hipóteses biogeográficas da origem dos Marsupiais. Descoberto em Charentes, na França, ele permite unir uma série de enigmáticos fósseis de caráter duvidoso supostamente aparentados aos Marsupiais, mas sem uma posição filogenética definida. O novo clã, batizado de Marsupialiformes, inclui um grupo de metatérios (Metatheria) norte-americanos do Cretáceo Inferior (Kokopellia, Iugomortiferum, Pariadens, Sinbadelphys, Dakotadens e Adelodelphys), aliados a um contemporâneo asiático (Asiatherium) e o recém-descoberto "primo" europeu. Nos sítios paleontológicos de Charentes foram descobertos diversos restos de dinossauros também indicando uma conexão euramericana, como proto-hadrossauróides, nodossaurídeos, braquiossaurídeos, and troodontídeos, grupos destes também presentes nas faunas coevas do Oeste Norte-Americano (como a de Cedar Mountain), ligação esta presente também nos fósseis de crocodilianos. Outros componentes da fauna de Charentes indicam uma conexão africana: um suposto carcarodontossaurídeo, uma cobra afim ao gênero Simoliophis e um crocodiliano zifodonte próximo ao marroquino Hamadasuchus.
A nova descoberta aponta para dois cenários possíveis, projetados a partir de uma origem mais remota dos metatérios no Cretáceo Inferior asiático (Sinodelphys, Formação Yixian, China, Barremiano): a) uma migração via Beríngia para a América do Norte, de onde colonizariam o oeste europeu; b) uma passagem através de algum istmo antecedendo a formação do estreito de Turgai (mares rasos que separavam a Ásia da Europa naquela época) para a Europa, de onde atingiriam posteriormente a América. Como os vários fósseis componentes dos Marsupialiformes são mais ou menos contemporâneos, ainda não é possível escolher a melhor hipótese.
A origem asiática para diversos componentes da fauna européia no Cretáceo já vem sendo sugerida para os zhelestídeos, gobiconodotídeos, kogaionídeos, anfilestíneos (Amphilestinae), e proto-hadrossauróides.
O grupo dos Metatérios (Metatheria) passa assim a ter sua biogeografia e filogenia melhor compreendidos. Do grupo mais primitivo de formas asiáticas do Cretáceo Inferior derivariam os carnívoros Deltateróides (Deltatheroida), com distribuição asiamericana, e os Marsupialiformes, predominantemente euramericanos, a partir dos quais, mais tarde derivariam os Marsupais propriamente ditos, na América do Norte, talvez. No Cretáceo Superior, os Marsupais atingiram a América do Sul, de onde, via Antártida, chegariam à Austrália.

domingo, 27 de setembro de 2009

Evolução 76: Classificação revista dos Bovídeos

Um estudo sobre a evolução dos chifres nas fêmeas de bovídeos traz um cladograma completo e atualizado sobre os membros da família dos Bovídeos.

O estudo, realizado por Theodore Stankowich and Tim Caro, em 2009, não leva em consideração a revisão taxonômica dos tahrs efetuada por Anne Ropiquet e Alexandre Hassanin em 2005, que desmembrou o gênero Hemigragus em três gêneros monotípicos: Hemitragus jemlahicus (tahr-do-himalaia, afim do cabrito-montês-siberiano), Arabitragus jayakari (tahr-árabe, próximo ao Ammotragus) e Nilgiritragus hylocrius (tahr-indiano, aparentado aos carneiros).


Bibliografia
:
  1. Theodore Stankowich and Tim Caro (2009). Evolution of weaponry in female bovidsProc. R. Soc. B doi:10.1098/rspb.2009.1256
  2. Anne Ropiquet, Alexandre Hassanin (2005), Molecular evidence for the polyphyly of the genus Hemitragus (Mammalia, Bovidae). Molecular Phylogenetics and Evolution 36 (2005) 154–168.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Evolução 71: Era uma vez três leões (ou dois?)

Novos estudos sobre o imponente leão-americano (Panthera atrox) sugerem que ele talvez não seja tão "leão" assim, sendo talvez mais uma espécie aparentada à onça. A relação entre o extinto "leão" da América do Norte e o atual (Panthera leo) já havia sido mencionada uma postagem anterior (Evolução 46), e agora a distância entre ambos - que já chegaram a ser considerados como partes de uma única espécie - parece cada vez maior, conforme o cladograma genealógico sugerido por estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology. A origem da "pantera-atroz" estaria talvez nos mesmos ancestrais que deram origem à onça sul-americana, a qual teve subespécies pré-históricas extintas no Velho Mundo (Panthera onca toscana) e na América do Norte (Panthera onca augusta), possivelmente derivados de uma espécie eurasiática extinta de grande felino, a Panthera gombaszoegensis.

Christiansen, Per e John M. Harris (2009). Craniomandibular Morphology and Phylogenetic Affinities of Panthera atrox: Implications for the Evolution and Paleobiology of the Lion Lineage. Journal of Vertebrate Paleontology 29(3):934-945. 2009
doi: 10.1671/039.029.0314

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Evolução 59: Eritherium, o ancestral mais antigo dos elefantes

Em terrenos fosfáticos da bacia de Ouled Abdoun, no Marrocos, datados de cerca de 60 milhões de anos, cientistas acabam de descobrir restos do que parece ser o mais primitivo proboscídeo já descrito. Em artigo publicado na revista americana Proceedings of the National Academy of the United States of America, o paleontólogo Emmanuel Gheerbrant batizou o fóssil de Eritherium azzouzorum, do grego êri, "cedo", e thêr, "fera, animal", homenageando os habitantes do vilarejo de Ouled Azzouz. O Eritherium possui características que o tornam não só mais primitivo de todos os Proboscídeos (Proboscidea, a ordem à qual pertencem os elefantes e seus primos extintos, os mastodontes e mamutes), como confirma o parentesco desta ordem com outros grupos extintos ainda mais arcaicos, como os condilartros da subfamília dos Louisininae. A descoberta reforça a coerência do agrupamento de mamíferos conhecidos como Afrotérios (Afrotheria), que teria evoluído no isolamento no continente africano, e inclui animais tão diferentes entre si como os elefantes, peixes-boi, hiraxes, musaranhos-elefantes, tenreques e toupeiras-douradas. O Eritherium viveu no Paleoceno Superior, na subdivisão chamada de Tanetiano.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Evolução 48: O elo perdido das focas

Cientistas acabam de descobrir no Canadá um fóssil de mais de 20 milhões de anos cujos detalhes anatômicos ajudarão a entender melhor a evolução das focas a partir de seus ancestrais da terra firne. O animal foi batizado de Puijila darwini, e media cerca de 1,10m de comprimento, incluindo a cauda, e mais parecia uma lontra do que uma foca. As focas, leões-marinhos e morsas integram o grupo dos Pinípedes (Pinnipedia), mamíferos aquáticos que evoluíram a partir de carnívoros terrestres, provavelmente de um grupo próximo à origem dos ursos.

O nome da criatura combina um termo inuit (esquimó) significando "jovem animal do mar", e uma homenagem a Charles Darwin, por se tratar de mais um elo perdido "achado". Apesar do nome, o animal deveria preferir lagos de água doce em vez de oceanos.


Mais detalhes em http://nature.ca/puijila/index_e.cfm

terça-feira, 14 de abril de 2009

Evolução 46: Era uma vez três leões...

Nenhuma espécie de mamífero carnívoro teve uma distribuição tão extensa quanto o Leão (Panthera leo), que no final do Plistoceno espalhava-se pela África, Europa, Ásia Ocidental até a Índia, Sibéria, América do Norte e América Central. Durante muito tempo se discutiu o verdadeiro status das diversas populações existentes, com a classificação tradicionalmente agrupando-as em quatro grupos de subespécies: o Leão "moderno" (Panthera leo leo), da África, sul dos Balcãs e Ásia sul-ocidental, o único ainda existente, o Leão-das-cavernas, da Eurásia (Panthera leo spelaea), os igualmente Leão-da-Beríngia, ou Leão-das-cavernas-oriental (Panthera leo vereshchagini), da Sibéria Oriental, Alaska e Noroeste do Canadá, e o Leão-americano (P. leo atrox), ocupando as Américas do Norte e Central, abaixo da linha das geleiras. Estudos genéticos a partir de espécimes fósseis revelou que na verdade os "leões" dividiam-se em três espécies distintas: o leão-moderno (Panthera leo), o leão-das-cavernas da Eurásia e Beríngia (Panthera spelaea, com duas subespécies spelaea e vereshchagini), e o leão-americano (Panthera atrox).




BARNETT,R. et alii (2009). Phylogeography of lions (Panthera leo ssp.) reveals three distinct taxa and a late Pleistocene reduction in genetic diversity. Molecular Ecology Volume 18 Issue 8, pgs 1668-1677, abril de 2009.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Evolução 24: Vectipithex, um novo gênero de primatas primitivos

Os omomiídeos (Omomyidae) eram um grupo de primatas muito primitivos, de aspecto vagamente semelhante aos atuais társios e lórises, que espalhavam-se pelas florestas tropicais e subtropicais que cobriam todo o Hemisfério Norte durante o Eoceno, durando até a época subseqüente do Oligoceno (ou seja, de cerca de 55 até uns 30 milhões de anos atrás). Suas características indicam que provavelmente eram aparentados aos remotos ancestrais comuns dos társios modernos e dos macacos. Compreendem dezenas de gêneros, e uma de suas subfamílias eram os Microqueríneos (Microchoerinae), constituídos por inúmeras espécies endêmicas do Eoceno da Europa.
Palentólogos erigiram um novo gênero, Vectipithex (de Vecti-, nome latino da ilha inglesa de Wight, e pithex, "macaco", em grego), cuja espécie-tipo é a recém-classificada Vectipithex smithorum. Além desta, o gênero foi extendido para incluir mais 3 espécies já conhecidas: V. ulmensis (antes incluída no gênero Protoadapis da família Adapidae); V. quayley e V. raabi (ambas as últimas incluídas anteriormente no gênero afim Nannopithex). Com a reclassificação destas espécies, o gênero abrange espécies cuja faixa temportal estendia-se do início do Eoceno Médio até o final do Eoceno Superior. O estudo, publicado na edição de outubro do Journal of Vertebrate Paleontology, mostra que da diversificação dos Microchoerinae deu-se num período relativamente curto. Outros gêneros muito próximos ao Vectipithex eram os já conhecidos Microchoerus, Necrolemur e Nannopithex.

Hooker JJ, Harrison DL (2008) A New Clade of Omomyid Primates from the European Paleogene. Journal of Vertebrate Paleontology: Vol. 28, No. 3 pp. 826–840

terça-feira, 1 de julho de 2008

Evolução 19: Metalopex, canídeo fóssil

Uma nova espécie fóssil de canídeo foi identificada nos Estados Unidos. Metalopex merriami Tedford & Wang, 2008 é o nome da nova espécie, cujos fósseis foram descobertos na Formação Thousand Creek, no Condado de Humboldt, no Estado de Nevada, datando do Mioceno Superior (Hemphilliano Inferior). Classificada na família dos Canídeos (Canidae), faz parte da subfamília dos Caníneos (Caninae) e da tribo dos Vulpinos (Vulpini). Os Caníneos são divididos tradicionalmente em duas tribos, os Vulpinos, com as raposas e similares, e os Caninos (Canini) com os lobos, chacais, cães e cachorros-do-mato sul-americanos. Dentro do grupo dos Vulpinos, o fóssil recém-descrito está próximo do clado formado pelos gêneros Prototocyon (extinto), Otocyon (raposa-morcego) e Urocyon (raposa-cinzenta). Esta espécie do Mioceno Superior norte-americano é contemporânea de outras espécies de caníneos primitivos, como a Vulpes stenognathus (raposa primitiva), e o Eucyon davisi (ancestral dos Caninos), indicando que a subfamília dos Caníneos estava iniciando um período de irradiação.

Fonte:
Tedford, R. H., and X. Wang. 2008. Metalopex, a new genus of fox (Carnivora: Canidae: Vulpini) from the late Miocene of western North America. In X. Wang and L. Barnes (eds.), Geology and Vertebrate Paleontology of Western and Southern North America, Contributions in Honor of David P. Whistler. Natural History Museum of Los Angeles County Science Series 41:273-278. PDF para download no site do autor

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Evolução 3: Pairando há tempos




Paleontólogos descobriram na Mongólia Interior, província da China, um curioso fóssil batizado de Volaticotherium antiquum. Este mamífero primitivo, com cerca de 130 milhões de anos de idade, viveu no limite entre o Jurássico Superior e Cretáceo Inferior, e foi possível identificar graças ao ótimo estado de conservação que possuía uma membrana entre as patas, permitindo-o planar. Tal adaptação não é incomum nos mamíferos, existindo hoje nos esquilos-voadores, lêmures-voadores e filandras-voadoras. Mas é a primeira vez que descobre-se tal modo de transporte num mamífero tão primitivo e antigo, em plena Era Mesozóica.

O anima é tão diferente que foi colocado numa ordem só para ele: Volaticotheria, e acredita-se haver um parentesco distante com os mamíferos Multituberculados, um grupo extinto que ocupava o nicho ecológicos dos roedores no Mesozóico, e que ainda persistiram até meados da Era Cenozóica.


quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Evolução 2: Pseudotribos, mamífero fóssil descoberto



Pseudotribos robustus é o nome do fóssil descoberto por paleontólogos chineses e americanos. Com cerca de 12 cm de comprimento, devia pesar entre 20 e 30 gramas. Os membros fortes e curtos indicam que devia tratar-se de um poderoso cavador.
O animal é tão diferente de outros grupos já conhecidos que surpreendeu os cientistas. Tudo indica que a diversidade dos mamíferos há 165 milhões de anos, no Jurássico asiático, era muito maior do que se supunha.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Evolução 1: o mistério dos micos e cutias navegantes


Para inaugurar os textos sobre o tema Evolução escolhi um mistério que até hoje continua intrigando os paleontólogos e zoólogos. Como os macacos e roedores chegaram na América do Sul?

Na época dos dinossauros todos os continentes estavam reunidos numa grande massa continental, Pangéia. Com o tempo, forças geológicas começaram a dividir as massas de terra, e este supercontinente partiu-se em dois blocos. O bloco meridional, batizado pelos cientistas de Gondwanalândia ou Gondwana, incluía a América do Sul, África, Antártida, Austrália, Madagascar e Índia. Ganhou seu nome justamente em homenagem à região indiana de Gondwana. Há cerca de 110 milhões de anos atrás, a África e a América do Sul começaram a separar-se (olhe num mapa e veja como seus contornos parecem encaixar-se), e progressivamente, todos os outros continentes e subcontinentes componentes deste grupo acabaram por separar-se e atingir o seu aspecto e posição atual.

Durante o Período Terciário quase inteiro, isto é, de 63 até uns três milhões de anos, a América do Sul estava isolada da América do Norte. Durante o início deste vasto período, ainda teve uma comunicação terrestre com a Antártida, mas que acabou por desfazer-se. Os mamíferos já estavam na América do Sul, e devido ao isolamento evoluíram de forma inteiramente independente do resto do mundo. Existiam marsupiais, que no passado foram muito mais numerosos e diversificados: existiram grandes formas carnívoras, pequenos herbívoros saltadores e até mesmo marsupiais arborícolas que lembravam vagamente os primatas. Quanto aos mamíferos placentários, alguns grupos eram de mamíferos de casco, enquanto outros eram os ainda existentes desdentados (Edentata), grupo que hoje compreende os tatus, tamanduás e preguiças, e que no passados atingiram tamanhos gigantescos, na forma dos gliptodontes (parecidos com tatus do tamanho de carros) e megatérios (preguiças grandes como elefantes).

Por volta de 40 milhões de anos atrás, no final do período Eoceno, apareceram na América do Sul dois grupos de “recém-chegados”: os macacos platirrinos e os roedores caviomorfos.

Explicando melhor, os macacos platirrinos (Platyrhini, do grego platys “chato” e rhis “nariz”) são o grupo de primatas que inclui todas espécies de macacos do continente americano: saguis, micos, bugios, macacos-aranha, e micos-leões, dentre outros. Os roedores caviomorfos (Caviomorpha, do nome científico da cobaia, Cavia, e do grego morphos “forma”) incluem diversas espécies de roedores originários do nosso continente (ainda que daqui muitos tenham migrado para a América do Norte): pacas, cutias, capivaras, ouriços-caixeiros, ratões-do-banhado, chinchilas, viscachas, porquinhos-da-índia (cobaias), preás, mocós, pacaranas, tuco-tucos, e muito mais.

A história evolucionária de ambos os grupos ainda não é bem conhecida, mas em curiosamente todos os indícios parecem indicar para uma origem africana. Os fósseis mais antigos de caviomorfos e platirrinos são conhecidos de sítios paleontológicos ainda relativamente pouco explorados, na Bolívia, Peru, Argentina e Chile, e ainda há muito a se descobrir. Mas estes mamíferos sul-americanos do Oligoceno são incrivelmente semelhantes a roedores e primatas que viviam na mesma época do outro lado do Atlântico, no norte da África, onde acham-se muitos fósseis de macacos e roedores primitivos. Os platirrinos seriam descendentes dos catarrinos (Catarhini, do grego kata ”para baixo”, e rhis “nariz”), o grupo ao qual pertencem todos os macacos do Velho Mundo, incluindo nós, humanos arrogantes, enquanto que os caviomorfos ligam-se aos histricomorfos (Hystrichomorpha, do grego Hysthrix “porco-espinho”, e do grego morphos “forma”), grupo ao qual pertence o porco-espinho.

O grande mistério que ronda estes grupos resume-se à intrigante pergunta: COMO ESTES ANIMAIS ATRAVESSARAM O ATLÃNTICO?

O oceano naquela época era relativamente mais estreito, pois África e América do Sul ainda não ocupavam suas posições atuais (lembrem que elas tinham começado a se separar durante o Cretáceo). Normalmente a teoria mais aceita é que estes animais migraram como se fossem “saltadores-de-ilhas”, ou seja, acidentalmente teriam sido transportados por correntes oceânicas em troncos de árvores ou vegetação flutuante. Talvez uma forte tempestade tivesse derrubado uma árvore no mar, e assim um casal, ou até mesmo uma fêmea grávida tenha sido arrastada como um náufrago. Ou então, no meio do oceano existiriam arquipélagos no meio do caminho, o que teria facilitado a busca, como um ponto intermediário na longa viagem. Será que estas ilhas seriam uma espécie de “Atlântida” pré-histórica? Ou será que os animais foram transportados de alguma outra forma? Podemos até pensar humoristicamente num disco-voador pousando na África há quarenta milhões de anos atrás, e um grupo de alienígenas capturando um grupo de macaquinhos e pequenos roedores. Depois, eles decolam e vão até a América do Sul, onde acabam esquecendo os animaizinhos...

O fato é que o mistério ainda perdura. Vamos torcer para que novas descobertas lancem luz sobre o problema e forneçam novas pistas para a resolução deste mistério.