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sábado, 5 de junho de 2010

Evolução 153: uma rã no Cretáceo da Hungria

Um novo gênero e espécie de anuro foi descrito na localidade de Iharkút (Cretáceo Superior, Santoniano), na Formação Csehbánya, na Hungria. Os detalhes anatômicos sugerem que a nova espécie seja um antigo membro dos Neobatráquios (Neobatrachia), possivelmente próximo aos Ranóides (Ranoidea), grupo ao qual pertence as modernas rãs. Traços indicam que a espécie tinha um hábito aquático, mas que evoluiu de ancestrais saltadores. Supondo que a análise esteja correta, a presença dos Neobatrachia é anterior aos fósseis já conhecidos do Palaeocene Superior, estendendo-se até o Santoniano. O fóssil recebeu o nome de Hungarobatrachus szukacsi.



An advanced anuran from the Late Cretaceous (Santonian) of Hungary

Authors: Szentesi, Zoltán; Venczel, Márton

Source: Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie - Abhandlungen, Volume 256, Number 3, June 2010 , pp. 291-302(12)

Publisher: E. Schweizerbart'sche Verlagsbuchhandlung

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Evolução 12: Beelzebufo, o Sapo do Inferno



Cientistas descobriram um sapo fóssil contemporâneo dos dinossauros, batizado com o sugestivo nome de Beelzebufo ampinga. Beelzebu- de Belzebu, nome de um demônio bíblico, Bufo, sapo em latim, e ampinga, um termo em malgaxe (língua nativa de Madagascar) significando "armadura". O animal viveu em Madagascar por volta de 70 milhões de anos atrás, e pesava 4,5 kg e 40 cm de comprimento, um dos maiores sapos já descobertos.
O sapo, embora enorme, encouraçado e com dentes possantes, possuía similaridades com algumas pequenas espécies atuais de anfíbios sul-americanos, o que significa que houve uma ligação entre as duas faunas persistindo por mais tempo do que os paleontólogos imaginavam. Madagascar e América do Sul fizeram parte do supercontinente conhecido como Gondwana que agregava também África, Antártida, Austrália e Índia, mas até então se imaginava que a partição em blocos houvesse começado durante o início do Período Cretáceo, cerca de 120 milhões atrás. Além deste sapo, há inúmeras semelhanças entre as faunas sul-americana e malgaxe no fim do período Cretáceo: crocodilos terrestres, dinossauros carnívoros (abelissauróideos) e herbívoros (titanossáurios), mamíferos primitivos (os gondwanatérios) e cobras semelhantes jibóias são alguns dos grupos que eram comuns a ambos locais. A ligação parece ter sido pelo hoje submerso platô das Ilhas Kerguelen, um remoto arquipélago nas águas sub-antárticas, que pode ter se mantido emerso por mais tempo, até pelo menos uns 80 milhões de anos, permitindo um corredor de passagem entre a América do Sul, Antártida, Índia e Madagascar).
Origem do mapa: Cosmopolitanism among Gondwanan Late Cretaceous mammals. David W. Krause, G. V. R. Prasad, Wighart von Koenigswald, Ashok Sahni and Frederick E. Grine. Nature 390, 504-507 (4 Dezembro 1997)