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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Evolução 171: serpentes cretáceas na Hungria

Restos de serpentes fósseis do Período Cretáceo encontradas na Hungria permitiram identificar a existência da família extinta das Madtsoídeas (Madtsoiidsae) nos terrenos maastrichtianos da Formação Hat,eg. A família já era conhecida na Europa por restos na Espanha e França, mas tratava-se de um grupo de cobras de grande porte, superficialmente similares às jibóias atuais, característico dos territórios do supercontinente austral de Gondwana, a partir de muitas espécies descritas na Austrália, América do Sul, Índia e Madagascar. A descoberta na Hungria reforça a convicção de que houve um fluxo migratório entre a África e a Europa no início do Cretáceo Superior, reforçada pela analogia com a distribuição de outros grupos, como dinossauros, aves e tartarugas, por exemplo.

terça-feira, 2 de março de 2010

Evolução 129: Sanajeh, a cobra papa-dino

Acaba de ser descrita uma nova espécie de serpente fóssil, batizada de Sanajeh indicus por uma equipe de cientistas indianos, canadenses e norte-americanos. Descoberta em terrenos cretáceos do oeste da Índia (Formação Lameta), a serpente tinha um comprimento estimado de 3,5 m e pertencia ao grupo extinto dos madtsoídeos (Madtsoiidae), uma família de serpentes muito primitivas cujas espécie distribuíam-se principalmente pelos continentes austrais, com fósseis na América do Sul, Austrália, Madagascar e África, mas também presentes no final do Cretáceo espanhol. Os restos do esqueleto foram descobertos em meio a um ninho de dinossauros, o que aponta para uma dieta carnívora da cobra. Apesar de superficialmente semelhantes às modernas jibóias e sucuris, os madtsoídeos possuíam uma morfologia mais primitiva, não sendo capazes de dilatar suas mandíbulas como os ofídios mais modernos. Ainda assim atingiram grande tamanho, com algumas espécies chegando aos oito metros de comprimentos, e com certeza tiveram um papel importante como predadores nos territórios remanescentes do supercontinente de Gondwana. Na Austrália, sobreviveram até o Plistoceno, e podem até ter sido contemporâneas dos primeiros humanos na Austrália.
Sem as adaptações que permitem às serpentes gigantes da atualidade, como sucuris, jibóias e pítons, abocanhar e engolir presas inteiras, as madtsoídeas desenvolveram adaptações compensatórias, e atacavam suas presas mordendo e arrancando pedaços. O ninho onde a Sanajeh foi descoberta incluía ovos fossilizados e filhotes de titanossaurídeos indianos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Evolução 125: as serpentes de Madagascar

Os cientistas que estudam os fósseis do período Cretáceo em Madagascar descobriram que a fauna de serpentes naquela ilha era muito mais variada do que se pensava. A Formação Maevarano, famosas por seus dinossauros, crocodilianos, mamíferos e aves, datada no final do período Cretáceo (Maastrichtiano), possuía uma espécie de cobra já descrita, a Madtsoia madagascariensis, um enorme predador de 8 metros de comprimento, com um estilo de vida semelhante às atuais pítons, jibóias e sucuris, embora parte de um grupo extinto de ofídios, os madtsoídeos (Madtsoiidae). Embora superficialmente semelhantes aos atuais pitonídeos e boídeos, e como tais cobras de enorme porte que provavelmente matavam suas vítimas por constrição, esta família era bem mais primitiva, e não deixou descentes ou parentes próximos nos tempos atuais. Seus fósseis foram encontrados em muitas partes do mundo, o que permite reconstituir uma distribuição predominanemente gondwânico: Cretáceo e Terciário na América do Sul; e África Cretáceo até o Plistoceno na Austrália; Cretáceo de Madagascar, Índia e Europa. A esta família pertence uma das duas novas espécies descritas, a Menarana nosymena, de porte bem menor e comprimento calculado de 2,40 m. A partir da comparação desta espécie com a espécie Madtsoia laurasiae, do Campaniano do País Basco espanhol, os paleontólogos que batizaram a espécie malgaxe sugerem transferir a espécie espanhola para o mesmo gênero, ficando assim Menarana laurasiae.
A outra espécie recém-descoberta, Kelyophis hechti, tinha menos de um metro, e pertencia a outra família extinta de cobras, as nigerofeídeas (Nigeropheidae), cuja distribuição também era predominantemente gondwânica: Cretáceo na África, Madagascar e Índia; Paleoceno na África, Eoceno na Europa Ocidental e Ásia Central.
A presença de um mesmo gênero em formações tão distantes como Maevarano (Madagascar) e Laño (Espanha, País Basco) levanta questões biogeográficas importantes. Como se deu a difusão deste gênero? Será que a inclusão de M. laurasiae no gênero Menarana será corroborado por descobertas e análises futuras?
Até o momento não foram descobertos fósseis cretáceos dos grupos de serpentes que atualmente habitam a ilha, indicando que talvez tenham lá chegado após o fim do Cretáceo.